O blog da Editora Cultura Cristã

Reforma31 – Dia 30 de 31

POR QUE DEUS FAZ TUDO PARA A PRÓPRIA GLÓRIA?

Por que Deus criou o mundo? Qual é o propósito supremo de tudo o que existe? Essas perguntas estão no centro de O fim para o qual Deus criou o mundo, de Jonathan Edwards, obra que John Piper apresenta e explora em A paixão de Deus por sua glória.

A resposta de Edwards é profundamente bíblica e transformadora: Deus criou todas as coisas para manifestar sua própria glória. E o que isso significa? Se Deus já é infinitamente perfeito e feliz em si mesmo, por que decidiu manifestar sua glória na criação? E como esse propósito se relaciona com nossa felicidade?

A resposta transforma nossa maneira de compreender Deus, o pecado e a alegria cristã.

Deus não criou por necessidade

Antes da criação, Deus já era infinitamente perfeito. Não lhe faltavam companhia, reconhecimento ou alegria. Sua existência não dependia de qualquer criatura. Portanto, Deus não criou o mundo para preencher uma carência. Criou livremente, para manifestar e comunicar sua plenitude.

Sua glória não é algo que acrescentamos a ele. É a excelência de quem ele eternamente é: santo, sábio, justo, bom e digno de todo louvor.

Quando glorificamos a Deus, não aumentamos sua grandeza. Reconhecemos a grandeza que ele já possui.

Deus não precisa de nossa admiração para ser glorioso; nós precisamos conhecer sua glória para compreender por que existimos.

Por que Deus coloca a si mesmo no centro?

Entre nós, a busca obsessiva por reconhecimento costuma revelar orgulho. Queremos receber uma honra maior do que merecemos. Com Deus, a situação é inteiramente diferente.

Se ele é o bem supremo, seria contrário à verdade tratar qualquer criatura como mais valiosa do que o Criador. Ao fazer de sua glória o fim último de todas as coisas, Deus reconhece aquilo que é infinitamente digno de amor.

Mas isso levanta outra questão: se Deus faz tudo para sua glória, existe lugar para nossa felicidade?

Nossa alegria não concorre com sua glória

Aqui encontramos o coração da reflexão de Edwards. Deus manifesta sua glória comunicando às criaturas o conhecimento de sua excelência, o amor por sua beleza e a alegria em sua presença.

Edwards compara essa comunicação aos raios que procedem do sol e à água que flui de uma fonte. Tudo se origina em Deus. Quando as criaturas recebem sua bondade e respondem com louvor, sua glória é reconhecida e refletida.

Isso significa que a glória divina e a felicidade de seu povo não são dois objetivos rivais. Piper resume essa convicção ao ensinar que Deus é mais glorificado em nós quando estamos mais satisfeitos nele.

Nossa maior alegria não nasce quando Deus nos coloca no centro, mas quando encontramos nele o centro de todas as coisas.

O pecado é uma troca desastrosa

Essa verdade também revela a gravidade do pecado. Em Romanos 1.23, Paulo afirma que os seres humanos trocaram a glória do Deus incorruptível por imagens de coisas criadas. O pecado não é apenas a transgressão de uma regra. É uma troca de valores: desprezamos o bem infinito e buscamos satisfação em realidades passageiras.

Jeremias descreve essa tragédia como abandonar a fonte de águas vivas para cavar cisternas rachadas, incapazes de reter água (Jr 2.13). Ao preferirmos a criatura ao Criador, desonramos a Deus e prejudicamos nossa própria alma.

Na cruz, a glória encontra a graça

Se Deus zela por sua glória, como pode acolher pecadores que a desprezaram?

A resposta está em Jesus Cristo. Na cruz, Deus não ignora o pecado nem abandona sua justiça. Por meio do sacrifício de seu Filho, manifesta sua justiça e oferece reconciliação aos que creem. Piper destaca que o zelo de Deus por sua glória e seu propósito de salvar pecadores se encontram na obra de Cristo.

O evangelho, portanto, não anuncia simplesmente que Deus deseja melhorar nossa autoestima. Anuncia algo infinitamente maior: pela graça, podemos conhecer, amar e desfrutar o próprio Deus.

A cruz revela que Deus não precisa diminuir sua glória para salvar pecadores; é justamente nela que sua justiça e sua graça resplandecem.

Afinal, por que Deus faz tudo para sua glória?

Porque não existe bem maior do que ele. Ao revelar sua glória, Deus manifesta aquilo que é supremamente verdadeiro e belo. Ao conduzir seu povo a encontrar alegria nele, comunica o maior bem que poderia oferecer: a si mesmo.

Nossa felicidade não exige que Deus deixe de ocupar o centro. Depende de reconhecermos que esse lugar sempre lhe pertenceu.

Para continuar a reflexão

Em A paixão de Deus por sua glória, John Piper apresenta a vida e o pensamento de Jonathan Edwards e suas implicações para a fé cristã. O livro inclui integralmente o tratado O fim para o qual Deus criou o mundo, no qual Edwards investiga, pela razão e pelas Escrituras, o propósito supremo da criação.

Livro do Dia 30 — REFORMA 31

A paixão de Deus por sua glória
Vivendo a visão de Jonathan Edwards

Nota editorial: Este artigo foi adaptado de A paixão de Deus por sua glória, de John Piper, publicado pela Editora Cultura Cristã.


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