O blog da Editora Cultura Cristã

Reforma31 – Dia 24 de 31

E SE JESUS NÃO FOSSE DEUS E HOMEM AO MESMO TEMPO?

Jesus sentiu fome, experimentou cansaço, chorou e morreu numa cruz. Entretanto, as Escrituras afirmam que ele é o Filho eterno de Deus, por meio de quem todas as coisas foram criadas (Jo 1.1-3).

Como o mesmo Jesus pode ser verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem?

Essa pergunta não interessa apenas aos teólogos. A identidade de Jesus como verdadeiro Deus e verdadeiro homem é fundamental para compreendermos a salvação que ele realizou e a confiança que podemos depositar nele. Em A união das naturezas do Redentor, Heber Carlos de Campos demonstra que a identidade de Cristo é inseparável da redenção que ele realizou.

Um Salvador, duas naturezas

Quando confessamos que Jesus é Deus e homem, não afirmamos que ele seja metade divino e metade humano. Tampouco ensinamos que sua divindade se transformou em humanidade. O Filho eterno assumiu uma natureza humana completa, sem deixar de possuir a natureza divina. As duas permanecem distintas, mas estão inseparavelmente unidas em uma única pessoa. Essa verdade recebe o nome de união pessoal (unio personalis), também chamada de união hipostática.

Isso significa que o menino nascido de Maria é o mesmo Filho que eternamente existe com o Pai. Aquele que sofreu na cruz é a mesma pessoa que possui todos os atributos da divindade. Não conseguimos explicar exaustivamente esse mistério. Contudo, a impossibilidade de compreendê-lo por inteiro não nos impede de conhecer aquilo que Deus revelou.

Jesus não é metade Deus e metade homem. É plenamente Deus e plenamente homem, uma só pessoa para sempre.

Por que a igreja precisou defender essa verdade?

Nos primeiros séculos, surgiram explicações que comprometiam a identidade de Cristo. Algumas enfraqueciam sua divindade ou humanidade; outras separavam excessivamente suas naturezas ou as confundiam.

Em 451, o Concílio de Calcedônia expressou a fé bíblica ao confessar um só Cristo em duas naturezas, sem confusão, sem mudança, sem divisão e sem separação.

Essas palavras não pretendiam desvendar o mistério da encarnação. Estabeleciam limites para que a igreja não afirmasse menos nem mais do que as Escrituras permitem.

Heber Campos mostra que esses debates não eram disputas irrelevantes. Se erramos sobre quem é Jesus, comprometemos nossa compreensão daquilo que ele fez para nos salvar.

Por que ele precisava ser homem?

A humanidade de Cristo não foi uma aparência. Ele nasceu de mulher, submeteu-se à lei de Deus e participou verdadeiramente de nossa condição, exceto no pecado (Gl 4.4; Hb 4.15).

Para nos representar, o Redentor precisava pertencer à nossa raça. Para obedecer em nosso lugar, precisava possuir verdadeira natureza humana. Para sofrer a penalidade de nossos pecados, precisava poder morrer. Portanto, sua obediência, suas dores e sua morte foram reais. O Filho não apenas observou nosso sofrimento de longe: assumiu nossa humanidade e, nela, realizou a obra que não poderíamos realizar.

Cristo assumiu nossa humanidade para fazer por nós aquilo que jamais conseguiríamos fazer por nós mesmos.

Por que ele precisava ser Deus?

A humanidade do Redentor era indispensável, mas não suficiente para explicar a grandeza de sua obra. Aquele que obedeceu e morreu por nós não era uma criatura extraordinária. Era o próprio Filho eterno de Deus, cuja pessoa confere dignidade singular e eficácia à sua obra redentora.

Isso não significa que a natureza divina tenha morrido ou deixado de possuir seus atributos. Cristo sofreu e morreu segundo sua natureza humana. Entretanto, quem sofreu e morreu foi a única pessoa do Filho encarnado.

Não existem dois salvadores, um divino e outro humano. Existe um só Mediador, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

Um Redentor que conhece nossas tentações

A união das naturezas também esclarece como Jesus pôde enfrentar tentações reais e permanecer perfeitamente santo. Ele conheceu a fraqueza, a oposição e o sofrimento próprios da experiência humana, mas nunca pecou. Sua humanidade não era ilusória; sua santidade também não.

Sendo assim, podemos nos aproximar dele com confiança. Nosso Salvador compreende nossas provações e possui perfeita capacidade para nos socorrer (Hb 4.15-16).

O Salvador que conhece nossas fraquezas é o mesmo Senhor que tem poder para nos sustentar.

Afinal, e se Jesus não fosse Deus e homem?

Sem verdadeira humanidade, Cristo não poderia representar-nos nem morrer em nosso lugar. Sem verdadeira divindade, não seria o Filho eterno cuja obra possui a dignidade necessária à nossa redenção. E, sem a união das duas naturezas em uma única pessoa, não teríamos o Mediador apresentado pelas Escrituras.

Essa doutrina, portanto, não termina numa definição teológica. Ela nos conduz à adoração. Nossa esperança não repousa em um homem que tentou alcançar Deus, mas no Filho eterno que se fez homem para nos reconciliar com o Pai.

Conhecer quem Jesus é deve levar-nos a confiar em sua obra, obedecer à sua Palavra e amá-lo acima de todas as coisas.

Para continuar a reflexão

Em A união das naturezas do Redentor, Heber Carlos de Campos examina a união pessoal das naturezas divina e humana de Cristo, sua formulação histórica, a comunicação de atributos, a impecabilidade, as tentações e a perfeição do Salvador. A obra culmina nos deveres de honra, adoração, fé, obediência e amor que devemos a Jesus.

Livro do Dia 24 — REFORMA 31

A união das naturezas do Redentor
A pessoa de Cristo

Nota editorial: Este artigo foi adaptado de A união das naturezas do Redentor, de Heber Carlos de Campos, publicado pela Editora Cultura Cristã.


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