O blog da Editora Cultura Cristã

Reforma31 – Dia 26 de 31

VOCÊ VIVE PARA A GLÓRIA DE DEUS OU PARA A SUA PRÓPRIA GLÓRIA?

É possível fazer coisas boas pelos motivos errados. Servir na igreja esperando reconhecimento, compartilhar conquistas buscando admiração ou até falar sobre Deus enquanto desejamos chamar a atenção para nós mesmos.

A pergunta é desconfortável: você vive para a glória de Deus ou para a sua própria glória?

O princípio reformado Soli Deo Gloria (glória somente a Deus) confronta nosso desejo de ocupar o centro. Contudo, seu significado vai além de um chamado à humildade. Antes de perguntar como glorificamos a Deus, precisamos compreender por que toda a glória pertence a ele.

Uma glória que não depende de nós

Deus não se torna mais glorioso quando o adoramos. Ele é eternamente santo, perfeito e majestoso. Sua glória pertence à sua própria natureza, não tem variação nem depende do reconhecimento de suas criaturas.

Quando glorificamos a Deus, reconhecemos e proclamamos uma grandeza que ele sempre possuiu.

David VanDrunen, em Glória somente a Deus, alerta para um perigo: transformar até esse princípio em algo centrado em nós, reduzindo-o a uma lista de comportamentos religiosos.

Glorificar a Deus não é torná-lo maior. É reconhecer que sua grandeza nunca dependeu de nós.

O princípio que reúne os outros quatro

A Reforma reafirmou que somos salvos somente pela graça, mediante a fé, exclusivamente por Cristo, segundo a autoridade suprema das Escrituras. O que une essas afirmações? A certeza de que toda a glória pertence a Deus.

Se nossa salvação dependesse de méritos próprios, poderíamos reivindicar parte da honra. Todavia, o evangelho exclui essa pretensão. Não completamos a obra de Cristo com nossas realizações; recebemos pela fé aquilo que Deus concede gratuitamente.

Soli Deo Gloria reúne os demais princípios porque nos lembra de que a salvação não começa em nossa iniciativa nem termina em nossa exaltação. Tudo procede da graça divina.

A glória revelada na cruz

As Escrituras apresentam manifestações extraordinárias da glória de Deus. Sua presença acompanhou Israel no deserto e encheu o tabernáculo e o templo.

Entretanto, essa revelação alcançou seu ponto culminante em Jesus Cristo. João afirma que o Verbo se fez carne e que os discípulos contemplaram sua glória (Jo 1.14).

Aqui encontramos um paradoxo destacado por VanDrunen ao examinar o pensamento de Lutero: para conhecer a glória de Deus, precisamos olhar para a humilhação da cruz.

O mundo associa glória a prestígio, poder e triunfo. Mas Deus manifestou sua graça e justiça quando Cristo morreu pelos pecadores.

A glória de Deus não é alcançada pelo orgulho humano. Ela nos é revelada na humildade da cruz de Cristo.

Quando a devoção se torna vaidade

O desejo de reconhecimento não desaparece quando alguém começa a frequentar a igreja. Podemos transformar a oração em demonstração de espiritualidade, o serviço em busca de prestígio e o conhecimento bíblico em motivo de superioridade. Por isso, viver para a glória de Deus exige examinar não apenas nossas ações, mas também nossas motivações.

A oração nos ensina dependência. A adoração dirige nossa atenção à grandeza divina. O temor do Senhor produz reverência diante de sua santidade. E essa transformação alcança toda a vida. Paulo ensina que até as atividades comuns devem ser realizadas para a glória de Deus (1Co 10.31).

Nossa glória não é o fim da história

Existe uma verdade surpreendente: o Deus que possui toda a glória promete glorificar aqueles que pertencem a Cristo (Rm 8.17-18). Isso contradiz Soli Deo Gloria? De maneira alguma.

VanDrunen mostra que a glória divina não elimina a dignidade humana. Criados à imagem de Deus e redimidos por sua graça, encontramos nosso verdadeiro propósito nele. Nossa glorificação futura não competirá com sua majestade. Será mais uma manifestação de sua generosidade.

Deus não diminui nossa dignidade quando recebe toda a glória. É nele que encontramos nosso verdadeiro valor e destino.

Afinal, para quem você vive?

A pergunta inicial exige mais do que boas intenções. Ela nos convida a examinar aquilo que governa nossos desejos, decisões e esperanças.

Não glorificamos a Deus perfeitamente. O orgulho continua disputando espaço em nosso coração. Contudo, o evangelho nos chama a abandonar a autossuficiência e voltar os olhos para Cristo.

O Breve Catecismo de Westminster resume nosso propósito: glorificar a Deus e desfrutar dele para sempre.

Essas duas realidades caminham juntas. Não fomos criados para disputar a glória divina, mas para encontrar nela nossa maior alegria.

Para continuar a reflexão

Em Glória somente a Deus, de David VanDrunen, apresenta Soli Deo Gloria como o princípio que une os demais solas da Reforma. A obra percorre a revelação da glória divina nas Escrituras, sua manifestação em Cristo e suas implicações para a oração, a adoração e a vida cotidiana.

Livro do Dia 26 — REFORMA 31

Glória somente a Deus
O majestoso coração da fé e da vida cristã

Nota editorial: Este artigo foi adaptado de Redenção consumada e aplicada, de John Murray, publicada pela Editora Cultura Cristã.


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