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Blog Cultura Cristã

Teologia e ética

Durante muitos anos, cri que a séria e grave questão entre nós evangélicos era o problema teológico. Se tivéssemos uma boa teologia, imaginava, estaríamos nos trilhos certos e agora, seria uma questão de maturidade cristã.

Ledo engano. Se uma teologia bíblica consistente corrige uma série de equívocos nossos, nos mostrando o erro de determinadas posições e, num passo subsequente, a demonstrar a loucura que seria em prosseguirmos no caminho anterior considerando, inclusive as suas implicações, o fato é que a teologia por si só não tem essa capacidade.

Lamentavelmente, por vezes, uma boa teologia pode apenas nos fornecer um palavreado certo, uma prudência metodológica e, consequentemente, a escolha de termos corretos para serem bem aplicados conforme o grupo a quem me dirijo e as pretensões que nutro em meu coração sob o manto santificador e jamais exposto a um exame mais criterioso, chamado de “para glória de Deus”.

O falecido pastor presbiteriano Boice (1938-2000), em certa ocasião, escreveu: “Quando perguntamos o que é certo, o que é moral, respondemos à questão não apelando para algum padrão moral independente, como se pudesse haver um padrão para qualquer coisa separado de Deus, e sim apelando para a vontade e natureza do próprio Deus. O certo é o que Deus é e revela para nós” (James M. Boice, Fundamentos da Fé Cristã: Um manual de teologia ao alcance de todos, Rio de Janeiro: Editora Central Gospel, 2011, p. 112).

Não podemos estabelecer categorias estranhas às Escrituras para avaliar a realidade ou considerarmos as Escrituras apenas como realidade para a nossa vida privada, surgindo, inevitavelmente um conflito de valores que se resolverá conforme meus interesses.

Se assim procedermos, a nossa fé será neutralizada, criando fissuras por onde entrarão valores estranhos à Palavra e que se autojustificarão em uma mente secularizada e bastante tranquila em suas racionalizações.

Sem a coragem da indignação moral, é impossível pensar e menos ainda propor e se engajar em qualquer mudança teológica, social e ética necessárias.

A Palavra de Deus sempre é urgentemente prática, quer em sua sabedoria, quer em sua abrangência, quer em sua perenidade.

A Reforma Protestante além de ser um movimento, teológico e espiritual, foi também um movimento ético.

No ramo teológico chamado de Reformado, isso se torna evidente em sua construção visto que a teologia é mais prática do que especulativa. Creio que o Reformador João Calvino pontificou isso em sua teologia e prática de forma admirável.

Como cristãos reformados, devemos nos esforçar para aplicar em todas as áreas de nossa vida as doutrinas bíblicas porque elas permanecem eficazes para os nossos direcionamentos em todas as áreas e em quaisquer épocas.

Desse modo, a prática adotada em todas as nossas relações deve partir de um princípio fundamental: a Palavra de Deus é a verdade absoluta de Deus para o nosso viver aqui e agora e, também, para o além e o depois. Em síntese, não adotamos as Escrituras como regra de fé e prática porque ela é funcional, mas, porque sabemos que ela é a verdade e desejamos ser fiéis ao nosso Senhor.

Por outro lado, o problema para nós cristãos ocorre quando nos distanciamos da Palavra em nome de uma suposta praticidade e eficiência. Em geral, o que ocorre é que fracassamos em nossa fé porque o objeto dela é fraco, e não obtemos os resultados práticos que desejávamos. Nesse caso, na priorização de uma suposta eficácia negamos a nossa doutrina e não alcançamos o resultado prático.

Permaneçamos na Palavra que é fiel e, experimentaremos a perfeita vontade de Deus em nossa vida. Que o Senhor nos dê discernimento. Amém.

Editorial do Jornal Brasil Presbiteriano, Ano 63 nº 806 – Janeiro de 2022

Herminsten Maia

O Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa é pastor-auxiliar da 1ª IP São Bernardo do Campo, São Paulo, SP, ensina teologia no JMC, é membro do CECEP, do Conselho Editorial da Cultura Cristã e do Brasil Presbiteriano.

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