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Blog Cultura Cristã

Pilares primitivos

Antônio Bandeira Trajano integrou a primeira geração de pastores presbiterianos do Brasil e foi seu último sobrevivente. Nascido na vila Pouca de Aguiar, Portugal, a 30 de agosto de 1843, veio para o Brasil por volta de 1859 e casou-se em março de 1873 em Sorocaba.

Antônio Trajano e Miguel Torres, futuros ministros do evangelho, converteram-se e professaram a fé a 5 de março de 1865. Com Modesto Perestrello Barros de Carvalhosa e Antônio Pedro de Cerqueira Leite, tornaram-se as quatro colunas do incipiente ministério nacional. O historiador Júlio Andrade Ferreira registrou que os estudantes davam sua colaboração prática nas igrejas. Porém, mesmo no período de aula, sua ajuda era solicitada na escola paroquial anexa. Modesto dava inglês; Antônio Pedro, música; Trajano, geografia e aritmética; Miguel Torres, gramática. Conta ainda que certa vez os estudantes se alegraram ao ler notícia do Seminário do Rio, saída no Foreign Missionary, na qual se dizia que os estudantes brasileiros nada ficavam a dever aos melhores dos Estados Unidos.

De novembro de 1868 a fevereiro de 1869, Trajano passou proveitosas férias em Lorena. Licenciado com Carvalhosa em 22 de agosto de 1870, ficou no Rio ajudando Alexander Blackford. Os bairros da capital eram evangelizados, havia escola diária, a Imprensa Evangélica continuava a sair duas vezes ao mês. O Presbitério de 1873 deliberou, porém, que ele fosse para Brotas. Ficou ainda dois meses no Rio, tal era o acúmulo de trabalhos. Como sua esposa estivesse muito doente, demorou-se em Sorocaba algum tempo. Ficou para ser ordenado no ano seguinte, mas estabelecido em Brotas.

Trajano foi pastor muito eficiente no púlpito, em Brotas e no Rio de Janeiro, havendo também organizado igrejas como a de Ubatuba, SP. Tornou-se conhecido como autor de livros didáticos de matemática. A primeira edição de sua Aritmética é provavelmente de 1879. Seus livros foram oficialmente adotados pela Família Real Brasileira e pela Escola Militar. Tornouse mestre de gerações brasileiras. Foi também membro da Comissão Tradutora da Bíblia.

Cláudio Marra

Trajano presidiu o Presbitério do Rio de Janeiro entre os anos 1881-1882 e o Sínodo do Brasil entre 1894-1896. Faleceu no Rio de Janeiro a 23 de dezembro de 1921 aos 78 anos.

Editorial do Jornal Brasil Presbiteriano, Ano 63 nº 806 – Janeiro de 2022

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