Clamam os justos, e o Senhor os escuta e os livra de todas as suas tribulações (Sl 34.17).
Não é uma promessa de Deus que tenhamos uma vida sem problemas. Não somos isentos do sofrimento, da dor. Em nossa jornada terrena, enfrentaremos, sem dúvidas, muitos percalços. No entanto, sabemos que as tribulações não são continuas nem eternas. Elas são como as tempestades, chegam e passam. E, como as nuvens, se dissipam.
O que já leu e conhece a Palavra de Deus: “No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo”, precisa compreender isso e aplicar à própria vida (Jo 16.33). Portanto, passar pelo sofrimento, suportá-lo e vencê-lo é uma ordenança de Deus cumprida em seu filho Jesus, que sofreu, foi crucificado e morto, mas ressuscitou ao terceiro dia, consolidando a vitória sobre a morte, cravando no coração do homem a convicção da fé e esperança – pilares para a edificação da vida cristã.
Enquanto o ourives trabalha o ouro bruto, dando-lhe acabamento final e fazendo-o, enfim, brilhar, o Criador forja o coração do homem para que nele resplandeça a luz da fé na eternidade – esse tesouro dado pelo próprio Deus. “Darei a ti os tesouros das escuridades e as riquezas encobertas, para que possas saber que eu sou o Senhor, o Deus de Israel, que te chama pelo teu nome” (Is 45.3). Pois, quando nos falta força, a tempestade é forte, aperta o cerco e a alma cambaleia, é nosso Deus que transforma o caos em bênçãos. É ele o escape quando a vida chega a um beco sem saída. Ele é a garantia de que não estamos sozinhos e nos faz seguros e convictos da salvação, dado a sua ação no meio de seu povo. E então, uma certeza se ergue – nunca estivemos sozinhos. Deus é conosco, e por isso, cremos grandemente.
Que em meio a espinhos encontraremos flores.
Que em meio ao deserto encontraremos oásis…
Que em meio ao caos encontraremos bençãos!
Foi assim com Jó, Daniel, e muitos outros que compreenderam que “Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 28.8). Inclusive o sofrimento.
Comecemos por Jó. Ele perdeu seus bens, a família e a saúde. De um momento para outro, as condições de sua vida foram de um extremo ao outro… Estabelecera-se o caos na vida de Jó, mas então, Deus restituiu tudo aquilo que ele havia perdido, inclusive a paz.
E Daniel? Na cova dos leões, sua situação acenava para um desfecho terrível na boca daqueles animais ferozes. E o que aconteceu? Deus “cerrou os dentes” das feras. Ele saiu incólume, porque todo o tempo o Deus de milagres esteve com ele.
Mas, e os muitos outros? Os de ontem e os de hoje, os citados na Bíblia e os anônimos?Não duvide de que você esteja inserido nesse rol… (dos que oram, amam, servem, adoram e esperam sempre no Senhor). Receba, creia e viva o que Deus tem para você, independente das circunstâncias e/ou das situações mais adversas da vida. Só Ele tem a paz que excede todo o entendimento, mesmo em meio aos ataques do Inimigo, esse que está sempre ávido para matar, roubar e destruir o povo de Deus.
Clamam os justos, e o Senhor os escuta e os livra de todas as suas tribulações (Sl 34.17). Continuemos, portanto, clamando a presença de Deus. Diante dele, os ventos se acalmam. As ondas se aquietam. Desertos viram pomares e as nuvens escuras e cinzentas dão lugar ao tempo aberto, céu claro e lindos arco-íris. Com Deus, o sofrimento é só o prelúdio de bençãos chegando em meio ao caos.
“Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações” (Sl 46.1).

João Victor da Silva é Presbítero da 2ª IP de Sapé, PB