Lições sobre perdão e gratidão
Amir e Farid eram amigos inseparáveis. Suas jornadas sempre foram marcadas por aventuras e momentos inesquecíveis. Certa vez, ao passarem por um rio de correnteza forte, Farid resolveu nadar. Porém, a força da água começou a arrastá-lo, colocando sua vida em risco. Amir, sem hesitar, lançou-se ao rio enfrentando a correnteza com grande esforço e conseguiu salvá-lo.
Para registrar aquele gesto de heroísmo e amizade, Farid gravou em uma rocha: “Aqui, com risco da sua própria vida, Amir salvou seu amigo Farid”.
Algum tempo depois, enquanto seguiam viagem, uma discussão os abalou. Amir, tomado pelo nervosismo, esbofeteou Farid. Este, sem dizer nada, pegou um graveto e escreveu na areia à beira do rio:
“Aqui, por motivos fúteis, Amir esbofeteou seu amigo Farid.”
Intrigado com a diferença de atitude, Amir perguntou:
— Quando te salvei, você gravou minhas ações em uma pedra. Mas agora, quando te ofendi, escreveu na areia. Por quê?
Farid respondeu com sabedoria:
— Os atos de bondade e amor devem ser gravados na rocha, para que sejam lembrados e sirvam de exemplo para outros. Já as ofensas devem ser escritas na areia, para que desapareçam com o vento e não deixem marcas permanentes.
Essa história é mais que uma narrativa sobre amizade; é uma lição sobre como lidamos com os gestos de amor e os erros dos outros. O que temos registrado em nossa “rocha” e em nossa “areia”?
Muitas vezes, fazemos o contrário do que Farid ensinou. Guardamos mágoas e ofensas como se fossem troféus, cravando-as em pedras emocionais que carregamos para cobrar os outros e alimentar ressentimentos. E, paradoxalmente, somos rápidos em esquecer os gestos de bondade e amor que recebemos, deixando-os se apagarem como palavras na areia.
Deus nos mostra um caminho diferente.
“Jesus disse: Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que estão fazendo” (Lc 23.34).
O Senhor tomou nossos pecados e os escreveu, não em uma pedra nem na areia, mas em uma cruz, usando cravos que marcaram o sacrifício de Jesus Cristo. E fez isso para que fôssemos eternamente perdoados, libertos da dívida que jamais poderíamos pagar.
Assim como Farid escolheu gravar na pedra os atos de bondade e na areia as ofensas, devemos nos perguntar: o que estamos registrando na vida? Em casa, no trabalho, entre amigos, estamos guardando o bem ou alimentando o mal?
A cruz nos ensina que o perdão é mais poderoso do que qualquer mágoa, que o amor é mais duradouro do que qualquer erro. Que possamos aprender com Amir e Farid a gravar as bondades na rocha e deixar que o vento apague as ofensas da areia.
Meu desejo é que você, em todas as suas relações, pratique a gratidão pelas bênçãos que recebe e escreva na areia aquilo que deve ser perdoado. Afinal, não fomos chamados para carregar pedras de ressentimento, mas para viver à sombra da cruz, onde o perdão foi esculpido com amor eterno.
O Rev. Robinson Grangeiro Monteiro é o Chanceler do Mackenzie e pastor titular da IP de Tambaú, em João Pessoa, PB
