O blog da Editora Cultura Cristã

Há tempo para tudo

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu” (Ec 3.1)
Valdeci Santos

Em toda a criação, nada permanece exatamente igual: as estações mudam, o corpo envelhece, os relacionamentos se transformam. Só Deus permanece o mesmo. Ele é o único imutável em um mundo de constante movimento. Ele mesmo afirma em Malaquias 3.6: “Eu, o Senhor, não mudo”. E Tiago o descreve como “o Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tg 1.17)


Mas por que Deus nos colocou em um mundo onde tudo muda? Por que ele nos expõe à fragilidade do corpo, às perdas da vida e à passagem do tempo? Certamente ele faz tudo isso porque quer nos ensinar. Nesse processo ele ensina que somos limitados, dependentes, frágeis e que precisamos dele todos os dias. Ele quer que lembremos que não somos iguais a ele: eterno, soberano, imutável.


Há algum tempo, uma irmã em Cristo notou um pequeno caroço que se desenvolvia em seu dedo. Procurando um médico, ouviu a seguinte explicação: “É só um sinal da idade, uma calcificação da cartilagem”. Para ela, aquilo seria um lembrete de que o tempo passa para todos. Ainda que você não tenha algum “carocinho” para chamar de seu, todos estamos envelhecendo. Todos estamos a caminho da eternidade. Um dia, tudo o que conhecemos mudará. Todas as ilusões cairão por terra. E só a verdade permanecerá.

Deus é Bom em nos lembrar

Nosso Deus é bom demais para nos deixar ignorantes quanto à eternidade. Por isso, ele colocou “placas de sinalização” ao longo do caminho. Cada cabelo branco, cada dificuldade nova, cada lágrima e cada perda são lembretes comunicando: “Prepare-se para a eternidade”.
Jesus também nos alertou sobre isso. Ele contou histórias de pessoas que viviam como se tivessem todo o tempo do mundo, mas foram pegas de surpresa. A parábola do rico insensato registra que aquele que pensou que teria muitos bens para muitos anos, perdeu sua alma naquela noite (Lc 12.16-21). Também, o homem que “se vestia de púrpura e de linho finíssimo e que, todos os dias, se regalava esplendidamente” enquanto Lázaro sofria, logo depois se viu em tormentos no inferno (Lc 16.19-31).
Você tem ouvido os avisos de Deus? Tem prestado atenção ao seu corpo, à brevidade da vida, às placas de sinalização divinas?

Sabedoria para viver

A sabedoria que desce lá do alto, que vem de Deus, nos orienta a viver com os olhos na eternidade. Ela afirma que nossa vida é uma “neblina que aparece por um instante e logo se dissipa” (Tg 4.14). Assim são nossos dias. Logo, devemos considerar: as preocupações desta vida – as contas, os projetos de viagem, os problemas da casa, os conflitos do trabalho, etc. – terão alguma importância na eternidade? Em Cristo, até a nossa melhor noite aqui parecerá, lá no céu, como uma noite ruim num hotel desconfortável.


Mas há algo que permanece para eternidade: nosso relacionamento com Deus. Esse vínculo, estabelecido por meio de Cristo, foi planejado desde antes da fundação do mundo (Ef 1.4) e jamais terá fim. Quando tudo mais passar, esse relacionamento permanecerá. Portanto, tudo o que fazemos para cultivar e desfrutar de nosso relacionamento com Deus possui valor eterno. Assim, nosso culto ao Senhor, nossa intimidade com ele por meio do estudo de sua Palavra e o derramar de nosso coração diante dele pela oração, nossa alegria nela nos momentos de comunhão fraternal, enfim, tudo isso permanecerá e terá continuidade no céu.

Para refletir

Há tempo para tudo e os momentos que nos preparam para a eternidade devem ser considerados valiosos para cada cristão. Você está vivendo à luz da eternidade? Suas decisões, seus desejos e seus relacionamentos demonstram que você sabe que a vida aqui é breve e passageira? Você já confiou sua alma a Cristo, o único capaz de garantir um futuro eterno com Deus? Que tal aproveitar o tempo presente como uma preparação para o gozo da eternidade com o Senhor?

A Série Pastoreio continua na próxima edição do Brasil Presbiteriano
O Rev. Valdeci da Silva Santos é pastor da IP de Campo Belo, SP, Diretor do Andrew Jumper, professor de Aconselhamento, autor da Cultura Cristã e colaborador do Brasil Presbiteriano

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